Pastoral Universitária

ARTIGO - NATAL: FESTA DA ESPERANÇA E DA VIDA

04/12/2014 -
Pe. Evandro Stefanello

            A festa do Natal é tão simples que se torna difícil descrevê-la. Somente com os olhares da fé podemos entender como pode ser tão significativa para todos os povos. Primeiramente por trazer em si a esperança de séculos do Povo de Israel que aguardava a vinda do Messias tão prometida por Deus. Representa ainda, a esperança da salvação dos seres humanos, ao passo que na Páscoa celebramos essa certeza. Comemora-se também a festa da vida, pois o Natal de Jesus se assemelha ao nascimento dos nossos filhos, sobrinhos, netos... Todos nós passamos pela experiência do nascimento de uma criança em nossa família. Sempre quando nasce uma criança somos tomados de uma alegria imensa, de uma profunda gratidão a Deus por continuar nos amando, dando-nos a alegria da vida por meio do nascimento de uma criança. Assim também foi o Natal, Deus nos deu o Dom (maior) de seu próprio Filho, nos presenteou com a vinda do Verbo que, a partir da encarnação, Ele se tornou carne a habitou no nosso meio. Para sabermos o grande significado do Natal, perguntemos a uma mãe o que significa o nascimento de um filho, perguntemos a um pecador o que significa ser perdoado.

            Deus se fez homem, desceu no tempo e no infinito, o eterno coube nos braços de uma simples mulher chamada Maria que disse sim ao projeto de Deus. Uma mulher com uma profunda vivência de Deus. Certamente Maria não conhecia muito, mas vivenciava Deus em sua vida, vivencia essa confirmada pelas palavras do anjo que a chama de “Ave Cheia de Graça, O Senhor está contigo”. A esperança de Israel não teve lugar para nascer, até nisso foi simples, nasceu em uma manjedoura, ou melhor, em um coxo onde se davam alimentos para os animais, assim foi a cama de Jesus, o berço que já prefigurava que tipo de Messias era Jesus. O Príncipe da Paz, veio para trazer a paz entre os homens, entre os homens e a natureza e entre os homens e Deus. Esta paz que Cristo trouxe se associa com a esperança, com a vida, com a salvação, com o amor e com a doação.

            Todo o Natal aconteceu na mais pura simplicidade: Maria, uma donzela humilde e pura; José, um varão casto, justo e sem dinheiro que aceitou a vocação de Deus; Jesus, um menino indefeso; alguns pastores pobres e sem poder; o lugar[1] com toa sua simplicidade. Que assim possamos acolher essa festa, na simplicidade, do nosso coração, das nossas festas e da nossa vida. Somos convidados a entrar na festa do Natal e não a ficarmos de fora. Herodes não quis entrar na festa do Natal e por isso morreu pagão.

            Em tempo de festejar o nascimento, compartilho um fato que me aconteceu e que interpreto como um verdadeiro Natal de Jesus. Fui chamado a um hospital para batizar uma criança recém nascida que portava uma deficiência letal. Os pais sabiam que a criança iria morrer logo depois do nascimento, só não sabiam por quanto tempo sobreviveria. Todas as vezes que estes pais iam ao seu médico ele lhes incentivava ao aborto e os pais sempre diziam não. Resolveram assumir a responsabilidade, mesmo sabendo que a criança morreria. Esses pais sempre se deparavam com a pergunta: por que não abortar? E respondiam: porque a missão da mãe e do pai é garantir que a criança nasça, independentemente se vai sobreviver ou não (o poder de determinar quem vive ou morre pertence a Deus e não aos pais ou aos médicos). Pois bem, cheguei ao hospital às 13hs e nesse exato momento a criança estava nascendo (de 9 meses mas com estatura de 7 meses). Batizei-a às 15hs e 35min. e ela faleceu às 18hs. Um acontecimento que chamou muito minha atenção, pois pude ver no rosto daqueles pais a alegria que tiveram ao verem aquela pequena criança ao menos por algumas horas. Naquelas pequenas horas a criança trouxe luz, alegria, paz e amor aos pais e a toda a família, me contagiei com a luz que aquela criança trouxe. E se os pais tivessem seguido o conselho dos médicos? Talvez hoje estariam tristes e desolados por não terem permitido e assistido à vida, não dando àquela criança o direito de nascer. O filho não é um direito do casal, mas sim um dom de Deus e por isso estes pais tiveram os nomes deles escritos, por Deus, no Livro da Vida. Isso sim é celebrar o Natal de Jesus que se traduz em festa da esperança e da vida, porque estes pais, mesmo sabendo da morte eminente, nunca deixaram de acreditar em um milagre, mas queriam que a vontade de Deus fosse feita. Hoje eles têm um anjo, uma menina santa, que intercede por eles.

            O Natal é a visita que Deus faz ao seu povo trazendo consolo e paz às nossas tribulações, aos nossos problemas e à nossa falta de esperança e de vida. Hoje existem tantas vozes prometendo libertação, superação da dor e das angustias, mas uma única voz que pode nos libertar de tudo: Jesus Cristo, verbo encarnado que assumiu nossas dores e se entregou por amor. A Palavra libertadora definitiva de Deus é seu filho Jesus Cristo, quem não a escuta, não é capaz de escutar a Deus. Assim, o Natal é uma ocasião propícia para escutarmos esta voz, esta palavra que vem nos trazer libertação e luz. Jesus é a luz que Brilha nas trevas e por causa desta luz podemos ver as coisas sobre outra perspectiva: a da eternidade. Uma luz que dissipa toda treva do nosso coração e da mente.

Na festa do Natal, com a chegada dos Reis Magos, o Senhor se manifesta ao mundo, deixa de ser exclusividade dos judeus e passa a ser o Rei de todos, o Senhor de todos, o Salvador de todos, inclusive de Herodes que procurou a todo custo matar Jesus, dos médicos, pessoas e ONGs que a todo custo promovem o aborto pelo mundo. Inclusive esses podem ser salvos se quiserem, basta que ouçam a Palavra Encarnada.

Como os Reis Magos, coloquemo-nos a caminho, a procura do Senhor para O adorarmos e O glorificarmos, entregando nossos presentes de Ouro (por que Jesus é Rei), de incenso (porque Jesus é Deus) e de mirra (porque Jesus é homem).



[1] Jesus nasceu em Belém – lugar do pão – e não em Jerusalém